Engenharia de software
Sistema sob medida ou plataforma pronta: como decidir sem se arrepender
Quatro perguntas que revelam qual dos dois caminhos custa menos no terceiro ano, que é quando a conta aparece.
Neste artigo
Quase toda empresa que nos procura para construir um sistema já tentou resolver com uma plataforma pronta antes. E quase sempre a plataforma foi a decisão certa naquele momento. O erro raramente é ter começado nela. É não ter percebido quando ela deixou de servir.
Plataforma pronta ganha em três coisas: começa amanhã, custa pouco no primeiro mês e alguém já resolveu os problemas óbvios. Sistema sob medida ganha em outras três: cabe no seu processo em vez do contrário, não cobra por crescimento e o código é seu.
Estas quatro perguntas costumam decidir.
1. O seu diferencial passa por dentro do sistema?
Se a coisa que faz o cliente escolher você acontece dentro do software, sob medida. Se o software só registra o que já aconteceu, plataforma pronta.
Uma distribuidora cuja vantagem é a regra de precificação por região e volume não consegue viver de plataforma: a regra dela não cabe no campo de desconto padrão. Uma clínica que precisa de agenda e prontuário, sem nada fora do comum, não deveria construir do zero.
2. Quanto você paga por crescer?
Plataforma quase sempre cobra por usuário, por pedido ou por percentual de venda. É barato enquanto você é pequeno e vira o maior custo fixo quando dá certo.
Faça a conta com o volume que você espera ter daqui a três anos, não com o de hoje. Muita gente descobre que a mensalidade de R$ 400,00 vira R$ 9.000,00 exatamente no ano em que o negócio decolou, e a saída ficou cara demais.
3. Quantas planilhas e grupos de WhatsApp existem em volta?
Este é o sintoma mais confiável. Quando a plataforma não dá conta, ninguém troca de plataforma: as pessoas criam remendos. Uma planilha para o que o sistema não calcula, um grupo para o que não notifica, um caderno para o que não registra.
Conte os remendos. Cada um deles é um pedaço do seu processo que já está fora do sistema, e cada um é um lugar onde a informação se perde.
4. Se você precisar sair, dá?
Pergunte a si mesmo o que acontece se a plataforma dobrar o preço, mudar de dono ou fechar. Você consegue exportar os dados em formato utilizável? Consegue levar o histórico?
Se a resposta for não, você não tem um fornecedor. Você tem uma dependência.
O caminho do meio, que é o que mais indicamos
Não é oito ou oitenta. Na maior parte dos casos o desenho certo é sob medida no que é seu, pronto no que é commodity.
Ninguém precisa construir emissor de nota fiscal, gateway de pagamento ou serviço de e-mail. Isso se integra. O que se constrói é a regra que só a sua empresa tem, o fluxo que o seu time realmente segue e a tela que a sua operação abre cem vezes por dia.
Foi assim que construímos o nosso próprio sistema interno: o núcleo é nosso, e tudo o que é padrão de mercado entra por integração.
O sinal de que chegou a hora
Não é o tamanho da empresa nem o faturamento. É quando você começa a mudar o seu processo para caber no sistema em vez de o contrário. No dia em que alguém do time disser “a gente faz assim porque o sistema não deixa fazer do jeito certo”, a conta virou.
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